Diagnóstico de Parkinson precoce aos 32 anos: o caso de Irina Pires
11 abril 2026
A doença de Parkinson é atualmente a doença neurodegenerativa com crescimento mais acelerado a nível mundial. Em Portugal, estima-se que existam cerca de 20 mil pessoas diagnosticadas, das quais entre dois a três mil casos correspondem a diagnóstico precoce, antes dos 60 anos.
Foi neste contexto que Irina Pires recebeu o diagnóstico aos 32 anos. Os primeiros sinais passaram despercebidos, mas um tremor na mão direita veio confirmar a suspeita. A doença obrigou-a a reformular o seu percurso profissional, levando-a a abandonar a carreira na enfermagem e a adaptar o seu quotidiano às limitações progressivas.
Catorze anos após o diagnóstico, a medicação deixou de ter a eficácia desejada. Perante o agravamento dos sintomas e das dores, a equipa médica optou pela implementação de uma bomba difusora de medicação, como solução intermédia até uma intervenção cirúrgica.
O caso de Irina reflete uma realidade mais ampla: o aumento do número de diagnósticos de Parkinson precoce em Portugal. Esta necessidade levou à criação da Young Parkies Portugal, uma associação dedicada a apoiar pessoas diagnosticadas em idade ativa, promovendo partilha, informação e suporte.
A associação tem vindo a desenvolver iniciativas relevantes, incluindo a realização da sua quarta conferência anual, que reuniu mais de 300 participantes na Fundação Champalimaud, em Lisboa.
Importa ainda sublinhar que a doença pode apresentar sinais até 20 anos antes das manifestações motoras mais evidentes. Entre os sintomas precoces destacam-se alterações do sono, perda de olfato e obstipação, reforçando a importância da literacia em saúde e do diagnóstico atempado.